REVIEW: VENTURA - ANDERSON PAAK

 

 Após um 2018 de busca por novas sonoridades, Anderson Paak apresenta um projeto que conversa mais com o panorama do Soul contemporâneo. Ventura é o terceiro álbum de estúdio do versátil artista californiano, que enriquece as conexões do Hip-Hop com suas influências enraizadas no Funk e R&B. Entregando consistentemente sons ricos em referências, performance e conteúdo lírico, Paak é capaz de traduzir muito bem suas inspirações em roupagens atuais, que conversam com o cenário da cultura, hoje.

 

Considerando que o lançamento do seu último álbum de estúdio, Oxnard, tenha se dado há apenas 6 meses, é de senso comum acreditar que Ventura seja apenas um compilado de faixas não apropriadas para o seu antecessor. Felizmente e definitivamente, não é do que o novo projeto de Anderson Paak se trata. Os instrumentais complexos do LP de 2018 dão lugar a melodias, em geral, mais espaçadas e simples, com ambiências levemente menos densas e renderizações mais lentas. É uma sonoridade mais limpa, de similar qualidade ao anterior.

 

A contribuição de Dr. Dre como produtor executivo de Ventura é fantástica, no que se trata ao acesso e escolha de samples, colaborações de artistas eternizados na história da música, mixagem e tastemaking geral do projeto. O verso enérgico entregue por Andre 3000 (Come Home), as vocalizações da Norelle (Winners Circle) e a participação de Smokey Robinson (Make It Better) podem ser considerados pontos altos na tracklist.

 

Entretanto, nenhuma faixa chega a um maior êxtase emocional do que quando, nos momentos finais de Ventura, somos presenteados com uma montagem de Paak conversando com Nate Dogg, finada voz do R&B e G-Funk nos anos 90, à la Kendrick e 2Pac em To Pimp a Butterfly. Dre realmente surpreendeu a todos com essa relíquia, adicionou valor à faixa (What Can We Do?) e, de forma abrangente, ao projeto.

 

Em geral, gostei do esforço de Paak e seus produtores de manufaturarem um álbum mais leve e esteticamente agradável. A proposta comercial de King James, por exemplo, dá visibilidade ao Ventura. Seu impacto também é graças ao liricismo, que traz um conteúdo mais político, uma ode aos ícones afro-americanos contemporâneos e inspiradores. Quando o projeto não empolga, é um tanto pela natural dificuldade de trazer refrãos fortes para o gênero do que um erro no segmento do projeto (Twilight, com produção de Pharell Williams e Good Heels com Jazmine Sullivan, por exemplo). Ventura é um álbum consistente.

 

8/10

@leoseminsta

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