Review: Playboi Carti – Die Lit

Leonel Jacques faz sua crítica semanal, dessa vez: novo projeto de Playboi Carti

Disclamer: Esse artigo é completamente opinativo e produzido pelo autor, e não expressa de nenhuma maneira a opinião geral da editoria da revista Over.

 

Nota do álbum: 8/10

 

Yo, Leonel Jacques aqui. O rapper/trapper de Atlanta e atualmente trabalhando em NY, Playboi Carti, lançou seu terceiro projeto de longa duração, Die Lit, na sexta (11/05). Me surpreendi, positivamente, pela maturação das texturas do som em comparação com a mixtape anterior, e pela forte influência de elementos psicodélicos e alternativos, tanto nos beats ESTUPENDOS, quanto na cadência da voz do membro da A$AP mob. Apesar do trap em geral ainda deixar a desejar no quesito versatilidade, o álbum inovou no seu conceito, foi divertido e teve diversos pontos altos ao longo das suas 19 faixas.

 

Liricamente, o trabalho não oferece muitos destaques. Em um nível de análise, apontar que o projeto não é forte com relação às letras é apontar o óbvio, pois claramente passa longe do objetivo e intenção do Carti. Também é leviano julgar o Die Lit superficial, “música de festa” ou de fácil criação. Digo isso porque apesar da simplicidade das melodias e despreocupação com a clareza das mensagens, sua representação (agressividade, consistência, excentricidade, relação com o momento da música hoje) e suas referências (experimentação, minimalismo, semelhanças gritantes com o movimento punk) ditam por si só a complexidade artística desse álbum, que se aproxima de um verdadeiro renascimento da contracultura.

 

Vou explorar um pouco dos panoramas conceituais ao longo das opiniões sobre as músicas. Antes, devo dizer que a capa do álbum, apesar de não roubar a cena, diz bastante sobre o que o ouvinte vai encontrar ao dar play. É um álbum cru, com atmosfera subversiva e com plug beats que vão te fazer querer dar um mortal de um palco, assim como o Carti ao fundo da imagem. Não sei ao certo se é o filtro preto e branco ou os diversos figurantes representando algumas tribos urbanas (provavelmente o produto dos dois), mas sinto que a intenção do Carti nesse projeto vai além de simplesmente lançar um trabalho comercial bonitinho, mas representar toda a aura pulsante e cosmopolita de New York.

 

O álbum começa como uma doce nostalgia. “Long Time” traz um dos beats mais tranquilos, com progressões mais tristes em acordes menores, com bpm mais devagar do álbum. Aliado às repetitivas e agradáveis letras do Playboi, como por exemplo “I ain’t have shit in a long time, just to feel like this it took a long time (yeah)”, levou meu estado de espírito a uma atmosfera acomodada, enquanto a música definitivamente me chamava a atenção pela simplicidade. Entretanto, soube que seria um álbum fora do comum quando os 808’s estourados de “R.I.P” soaram pela primeira vez. Esse som, com os teclados destoantes e as letras agressivas sobre pegar uma corrente do pescoço de um mano e estapear outro, me fizeram querer tomar uma garrafa de tequila em uma creche.

 

O álbum confirma sua ambientação no estilo de vida luxuoso e luxurioso do rapper. Faixas como “Lean 4 Real” (que contou com um verso um tanto quanto medíocre do Skepta) e “Old Money” contam com texturas mais espaciais, totalmente chapadeiras e performances consistentes do Carti, embora não trazerem nada de novo ou destacável na construção da música. Aliás, os principais pontos baixos do trampo são decorrentes de uma certa falta de cuidado com a textura e identidade única de algumas poucas músicas, ao passo que a experimentação das melodias pareceu corrida e um tanto simples com relação às outras faixas. “Foreign” e “Middle of the Summer” (com uma colab sem qualquer entrega e identidade da caloura Redd Coldhearted) são muito curtas para serem lembradas como músicas, com harmonias comuns e inconsistentes e definitivamente pouco pensamento por trás das suas construções.

 

Na direção contrária, o álbum trouxe bangers embaçadíssimos. E MUITOS. “Shoota” traz um instrumental que coloca a pessoa para cima, e que progride até um drop memorável no refrão, com o Carti e o Uzi apresentando uma performance crua e implacável, flows que cortam como uma navalha e a certeza de que não há uma dupla no trap que combine mais que eles. “Poke it Out” tem o melhor beat de todo o álbum, sendo pegajoso e simples na medida em que é inteligente e trabalha bem as melodias do teclado. O destaque desse som é o verso da Nicki Minaj. Que mulher. Cadência perfeita, performance alinhada com o conceito da música, versatilidade no flow e conseguiu ser LÍRICA em uma música do Playboi Carti, com wordplays criativos e adicionando muito valor na faixa.

 

No perfil do Youtube oficial do Playboi Carti, está disponível o áudio de "Shoota", em que só se vê uma tela preta.

 

Os bons destaques não param por aí. “Love Hurts” provou que o flow do Playboi consegue ser interessante por si só, com um beat simples e sem kick. Há tão pouco acontecendo no instrumental (salvo um 808 amplo e cru) que Carti e Travis Scott guiam toda a emoção da música nas suas rimas e adlibs. Essa experimentação me chamou a atenção como nenhuma outra faixa, sendo essa minha música favorita do álbum. “Choppa Won’t Miss” trouxe qualidades no sentido de complexidade das melodias vocais do Carti e do Young Thug, que foi uma ótima escolha para colab nesse som e combinou bastante com a música. Não entendo a fissura dos rappers de rimarem sobre atirar de cima de helicópteros, tampouco a fissura do Carti de fazer sons agudos de tiro com a boca, mas é uma música divertida.

 

Fell in Luv” feat. Bryson Tiller também foi bem trabalhada melodicamente, principalmente no verso do monstro do R&B, que cada vez mais comprova ter um talento estrondoso para fazer hit. “Mileage” trouxe outro beat bem trabalhado, com camadas diferentes de sintetizadores e uma textura bem condizente com o assunto da música, que é a vida amorosa do Carti. A participação do Chief Keef na faixa não trouxe tanto peso e presença quanto alguns dos seus outros trabalhos, embora também tenha sido consistente. A penúltima track, “R.I.P Fredo”, além de ser uma homenagem ao rapper Fredo Santana, que faleceu ainda esse ano, é carregada com baixos e teclados melancólicos, trazendo uma roupagem tensa e repleta de energias sombrias no som. É a deixa pra “Top”, com a produção do Pi’erre Bourne, que fecha o álbum. Definitivamente um som divertido, com beat pegajoso e rimas clássicas do Carti sobre mulheres, drogas e a sua vida luxuosa.

 

Die Lit” é, na prática, o melhor álbum de trap no seu segmento que já ouvi. Reuniu perfeitamente todos os elementos do subgênero, como adlibs, instrumentais simples e muitos triplets, e os executou com bela harmonia aliados às experimentações e jogadas psicodélicas conceituais do álbum. Atingiu seu objetivo, sendo um álbum comercial e de fácil degustação, mas fiel ao seu conceito e trazendo novas perspectivas à música urbana em geral.

 

Álbum Die Lit é o terceiro grande projeto de Playboi Carti | Foto: Divulgação

 

O projeto é um 8 bem consistente, pra mim.

 

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