Review - Rolling Papers 2 – Wiz Khalifa

Leonel Jacques compartilha alguns dos seus pensamentos sobre o novo álbum do Khalifa.

Disclamer: Esse artigo é completamente opinativo e produzido pelo autor, e não expressa de nenhuma maneira a opinião geral da editoria da revista Over.

 

Nota do Álbum: 4

 

Yo, Leonel Jacques aqui. O verão dos gringos não poderia acabar sem antes recebermos o álbum novo do Wiz Khalifa, ‘Rolling Papers II’. É a sequência do clássico ‘Rolling Papers’ (2011), que trouxe o cara para o absoluto estrelato do Hip-Hop com singles como Black and Yellowe On my level. O trampo novo tem tudo que a gente espera do Khalifa: Uma porrada de referências chapadíssimas sobre marijuana, colabs pesadas (Snoop Dogg, Swae Lee, PARTYNEXTDOOR, Gucci Mane e Ty Dolla Sign, entre outros), uma produção luxuosa e mais alguns insights sobre o rapper que agora também é um homem de negócios, como conferimos no álbum anterior, ‘Laugh now, fly later’ (2017).

 

Entretanto, é preciso dizer que Rolling Papers II’ oscila entre momentos divertidos e enérgicos ante faixas um tanto desprovidas de originalidade, óbvias ou saturadas pela visão geral do projeto. Embora entendamos a estratégia de álbuns longos para alavancar os streamings, o trampo não correspondeu conceitualmente com uma roupagem que o torne menos maçante ao longo das 25 músicas. Como ponto alto, na medida em que rolam alguns bangers entrelaçados na construção de trap beats contemporâneos, a vibe trazida pela produção e pelo artista é nostálgica, relembrando os tempos áureos do Khalifa de não muito tempo atrás.

 

Em contrapartida, há falta de referência e desenvolvimento de identidade musical mais profundo, seja quando Wiz flerta com o urban ou o rap lírico, ou simplesmente quando há necessidade de trazer algo novo em um projeto tão grande quanto ‘Rolling Papers II’. Khalifa poderia ter experimentado mais. Isso não significa que o processo de produção tenha sido ruim ou apressado, mas era preciso que ao longo dos sons fossem apresentadas ideias que aumentassem seus valores de reprodução, ao contrário dos fillers que povoam o projeto.

 

Faixas como ‘Ocean’, ‘Holyfield’, ‘Late Night Messages’, ‘It’s on You’ ou ‘All of a Sudden’ e ‘Homework’ (ambas com colab do THEMXXNLIGHT) jamais fariam parte de um projeto do Wiz se a intenção fosse criar um trabalho final conciso. Do contrário, o álbum apresenta poucos pontos altos e instrumentais superproduzidos sem o desenvolvimento de qualquer ideia que resulte em uma sonoridade menos monótona. A falta de esforço em buscar flows criativos, além de storytelling fraco e indiferença com relação às identidades dos sons transformam o hype de ‘Rolling Papers II’ em um rascunho do que poderia ter sido melhor pensado e trabalhado.

 

Wiz Khalifa não é necessariamente aclamado pelo seu liricismo ou versatilidade, e sem dúvidas isso pesa em um álbum tão grande. Na medida em que passamos por bons momentos como a faixa homônima do trampo, reflexiva e enérgica com um beat boombap que povoa a textura da música perfeitamente, o melhor do rapper é destacado. Traps como ‘Goin Hard’, ‘Blue Hunnids’, ‘Fr Fr’ (com Lil Skies)e ‘Real Rich’ (com o Gucci Mane)são bangers com produção pesadíssima, as colabs são cruas e cheias de potencial, mas as faixas pecam demais na repetitividade:

 

“Whoa, you be goin’ hard, you be goin’ hard
You be goin’ hard, you be goin’ hard
Other bitches, they be slackin’, you be on your job
You be goin’ hard, you be goin’ hard
You be goin’ hard, you be goin’ hard
You be goin’ hard, you be goin’ hard
Other bitches, they be slackin’, you be on your job
You be goin’ hard, you be goin’ hard (uh, uh)”

(Trecho de Goin Hard)

 

O ouro de ‘Rolling Papers II’ fica por conta dos 2 singles que já haviam sido lançados previamente. ‘Hopeless Romantic’ (part. Swae Lee) e ‘Something New’ (part. ‘Ty Dolla Sign) abraçam o clima de verão da Califórnia com instrumentais divertidos e dançantes, participações incríveis dos 2 artistas de R&B e versos consistentes do Wiz Khalifa. Outros pontos positivos do projeto estão na tenebrosa ‘420 Freestyle’, com punchlines criativas e cheias de personalidade, ‘B ok’, que mostra um Wiz sincero e com cadência afiada, e os instrumentais de ‘Bootsie Bellows’ (que linhas de baixo!) e ‘Gin and Drugs’ (com Problem).

 

No geral, ‘Rolling Papers 2’ decepcionou. Não acompanhou o potencial artístico do cara, atirou para todos os lados conceitualmente e se mostrou inconsistente por isso. Por também ter contado com boas músicas e boa produção em algumas faixas, um 4 é a nota perfeita, na minha opinião.

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Link do Wiz Khalifa sendo entrevistado em um detector de mentiras pela Vanity Fair: https://www.youtube.com/watch?v=53nsgJIGDBY

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