Review – Queen – Nicki Minaj

Temos a review do novo LP da Minaj. (3,5)

 

A artista e personalidade da mídia originária do Queens, Nicki Minaj, colou com o Queen no dia 10 de agosto. Após 4 longos anos sem um projeto completo lançado e uma série de tentativas de reposicionamento da marca, decisões focadas na imagem midiática e construção de um repertório de polêmicas envolvendo ela e outros artistas, ninguém sabia ao certo o que esperar de um novo álbum da rapper de 35 anos, que segue com seus laços atados à Young Money.

 

Herança do Pinkprint (2014) e em diversos aspectos, da própria gravadora, Queen é um projeto que tenta agradar a todos. 19 faixas + FEFE (bônus) que buscaram explorar um espectro total de qualidades da Nicki, desde o pop protocolar de Bed com a Ariana Grande, até o rap exibido e direto de Barbie Dreams, com verso zoando até o príncipe da Antártida. Com toda certeza, um álbum consistente, voltado à versatilidade plena da artista, bem trabalhado e com a identidade e texturas das músicas construída com muito cuidado traduzem-se em um bom resultado. Esse é um dos pontos importantes ao refletir no porquê de Queen ser tão decepcionante.

 

Era esperado que encontrássemos tracks deslumbrantes, com produção luxuosa e adequadas à persona icônica que a artista impera no conceito geral do álbum. De fato, flertamos com uma Nicki envolvente, arrojada no jogo de caneta e convincente no tratante ao respeito conquistado pela sua criatividade lírica em faixas como LLC e Chun-Li, fortes no seu conteúdo cant, flow e instrumental. Em Good Form, a Minaj mostra boa performance em um beat que poderia ter sido jogado no lixo.

 

Low point: mesmo em faixas colaborativas presenciadas por fortes nomes comerciais como The Weeknd e Lil Wayne, o trabalho genérico e desfocado entrega um produto que não atinge objetivos claros para a essência artística de Nicki Minaj e desloca a própria aura do projeto de sua realidade audível. I thought I knew you só não compete em composição preguiçosa, falta de criatividade ao trabalhar com a colab e má escolha de instrumental do que Chun Swae (part. Swae Lee). Essa traz os problemas em questão dobrados, graças aos seus 6min de duração (que pareceram 20).

 

O conceito foi jogado pela privada em Nip Tuck, Sir, Run & Hide, e a faixa dedicada ao ex Safaree, Come See About Me (Taylor Swift, é você?). É como se Nicki Minaj, Migos e Drake competissem, regras à parte, um campeonato de fillers em 2018. São conteúdos tão diluídos e sem qualquer cuidado de produção que acarretam no completo ofuscamento de faixas fortes e bem trabalhadas, como Majesty (part. Eminem e Labrinth), montada a partir de um refrão brilhoso, contrastando com versos onde os baixos e o boom-bap tomam conta da ambiência.

 

Da intro Ganja Burns, todas as medidas de RP dos últimos anos, os trash talks no Twitter, os beefs com a Cardi (foi treta, sim) e Remy, as revelações de supostos escândalos envolvendo a indústria e o depósito de confiança de toda a comunidade do Hip-Hop na capacidade de renovação de Nicki Minaj, era esperado um álbum: foco na persona “Queen”, abordagens mais adultas, garimpagem de sonoridades a fim de construir um projeto conciso... Enfim, decisões proativas que confirmem o lugar da rapper nas discussões de melhor da sua geração.

 

Entretanto, encontramos em Queen um compilado de faixas fracas e completamente impessoais. O desejo de agradar a todos os públicos, aliado à duração proposital do trampo para multiplicar o número de streams e a relutância da artista em fugir da sua fórmula foram os culpados visíveis da falta de personalidade e potencial deste álbum. Torço pelo bem da Onika, espero que os rumores de abuso de pílulas sejam apenas suposições e sigo querendo mais música da queen, independente da pouca qualidade do projeto.

 

3,5

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Nicki Minaj Queen Hip Hop Rap 2018 Hip-Hop R&B Urban

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