Review – I Used To Know Her: The Prelude – H.E.R

H.E.R colou com um projeto pouco ambicioso. (5,5)

 

A jovem artista de R&B, H.E.R,dropou seu terceiro E.P, nomeado I Used To Know Her: The Prelude, no dia 3 de agosto. Ela vem mantendo um perfil deveras low-key desde sua estreia em 2016, atraindo pouca atenção midiática e não mostrando o rosto em capas artísticas, como é o caso do novo projeto também. Focada concisamente na música, é sempre esperado que Gabriella Wilson siga mantendo um ótimo pace de amadurecimento artístico em cada álbum.

 

Profundidade e versatilidade definem “Lost Souls”, a faixa de entrada do trabalho de 6 músicas. Demonstrando qualidade lírica e de cadência em um som inspirado na Lauryn Hill, H.E.R se arrisca na rima pura com produção instrumental do DJ Scratch. Endereça criativamente o empoderamento feminino, ao passo que reconhece o status de influência dela mesma, repetindo quase que como um mantra: “uma alma perdida não pode liderar o povo”. O conteúdo é ainda melhor condensado com linhas sobre o mar de inseguranças e hipocrisias ao redor da artista de 20 anos. Definitivamente, um bom começo, mostrando não ter receio de flertar com outras lanes.

 

O ambiente eclode mais sexy no R&B lento e minimalista “Against Me”. É pontual dizer que a sensualidade fica unicamente por conta da estética do instrumental, visto que o storytelling nos apresenta um relacionamento conturbado e tóxico. A faixa é emocionalmente forte, melodicamente perfeita e tem backing vocals com melismas no ponto até sua última parte. A poesia falada que se estendeu pelo minuto final simplesmente não agregou qualquer valor à música, não evitando um recorte com tanto potencial de se tornar entediante.

 

Após o interlúdio de partir corações apaixonados, embora agradabilíssimo aos ouvidos “Be on my way”, vai se tornando cada vez mais clara a linguagem do The Prelude. Texturas claras, harmonias limpas e pouca experimentação contracenam com passagens líricas moderadamente melancólicas, atritos de relacionamento e de identidade, inevitavelmente flertando com o pop em diversas faces.

 

A fórmula não se altera em “Could’ve Been”, e não fosse pela colab escolhida a dedo de Bryson Tiller, a faixa seria ainda mais diluída e esquecível. A produção é claramente luxuosa e glamorosa, desde os samples de voz aos sintetizadores que os acompanham no fade in, mas há pouco o que ser apresentado no quesito performance e criatividade, tanto com relação à própria faixa, quanto em comparação ao andamento do EP.

 

Feel A Way” se apresenta mais industrial e upbeat, com semelhanças concretas aos bangers moderníssimos de urban do 6LACK, incluindo o flow e algumas transições instrumentais na própria faixa. Contrasta com a última música do projeto, “As I Am”. Com storytelling de certo modo mais positivo e arranjos vocais incríveis, tudo indica que a montanha-russa de emoções da H.E.R pode ter um final feliz, no fim das contas.

 

I used to know her: The prelude é um projeto consistente, embora preso em sua repetitividade. Belamente produzido, com ideias fantásticas que caem por terra na medida em que falta identidade em momentos-chave do percorrer do EP, além de performances mais impactantes, condizentes com seu segmento. O potencial da H.E.R foi comprovado nos seus primeiros 2 trabalhos, e espero um Long Play mais encorpado em um futuro próximo.

 

5,5

 

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