PRIDE: ORGULHO DE SER QUEM SOMOS

Foto: Marília Loureiro

 

O dia 28 de junho de 1969 foi marcado por um dos mais importantes atos que deu inicio às manifestações em busca da liberdade homoafetiva. Até o ano de 1962 qualquer prática homossexual era considerada crime em todos os estados americanos, inclusive as penas variavam de regime fechado até a pena de morte. A polícia costumava fazer batidas e assim deter homossexuais e Drag Queens (por não estarem vestidos adequadamente conforme seu gênero sexual). Foi em uma dessas batidas no bar nova Iorquino chamado “Stonewall Inn”, localizado em Greenwich Village,  que ocorreu a primeira manifestação e seguiu durante dias nas redondezas do bar. Nelas haviam membros da comunidade LGBTQA+ declarando orgulho de ser quem eram. Esse movimento é chamado de rebelião ou revolta de Stonewall. Após muita luta, ano após ano, milhares de pessoas vão as ruas reivindicando seus direitos. É inegável que o maior ato político até hoje é a parada gay.

 

Eu moro em Maplewood - New Jersey, uma cidade muito amigável e cheia de diversidade, lugar maravilhoso de se morar, mas isso só foi possível porque pessoas lutaram pelos seus direitos. No ano passado, perto da prefeitura, pintaram uma faixa de segurança com as cores da bandeira LGBTQA+, no intuito de comemorar a pride. Porém, foi decidido manter essa faixa pra sempre. A bandeira também está na frente da prefeitura durante todo este mês. Muitos dos moradores são casais LGBTQA+ e é, no mínimo, necessário fazer essa homenagem a eles.

 

Nas últimas semanas aconteceu a "North Jersey Pride" em Maplewood, no Memorial Park, um dos mais frequentados e perto do centro. O evento foi GIGANTE e muito lindo. Estava lotado de famílias e de pessoas que querem um mundo melhor, pra nós. O mais lindo é que não importa a idade, orientação sexual ou gênero. A maioria das pessoas da cidade vai para a pride, por saber da importância de aprendermos a respeitar as diferenças. Vejo todos os dias pais ensinando aos filhos a respeitarem as diferenças, mostrando que o que vale é o amor e respeito. Quando criamos leis que criminalizam a homofobia deixamos claro o óbvio: que é inaceitável. Ela não serve apenas para incluir, mas também para proteger a comunidade LGBTQA+ que sofre ataques todos os dias. Imagina você sendo atacado por ser quem é e a justiça não lhe dar apoio. Pois é isso que muita gente enfrenta todos os dias. Criminalizar a homofobia é o inicio para combater o preconceito.

 

 

Temos um conceito muito estranho do que chamar de família, muitos falam que família é composta por uma figura paterna e uma materna. Mas pera aí, antes de entrar no quesito de que família é quem se ama. Na realidade, esse conceito se perde já quando a mãe cria os filhos sozinha ou que a avó ajuda a mãe, não há uma figura “paterna" e segue sendo família. Ou seja, o problema não é a criação ser formada por duas pessoas do mesmo sexo e sim o preconceito em cima de casais homoafetivos. O essencial na educação dessas crianças é apenas o amor e o respeito dedicado a elas. Convivo diariamente com famílias LGBTQA+ e digo com todas as letras: a única coisa que importa é o amor. 

 

Em função da cultura ser mais mente aberta, estando aqui, foi relativamente fácil me entender, conhecer e assumir, afinal, o que importa não é com quem eu estou saindo ou não, e sim eu estar feliz. Maplewood é uma cidade pequena, e mesmo assim, eu posso sair de mãos dadas, beijar ou abraçar quem eu quiser. Foi muito gratificante estar no evento, na cidade que eu amo, com meus amigos e meus vizinhos para celebrar o orgulho LGBTQA+. Não é simples se assumir, se conhecer e entender quem somos, mas quem está ao nosso redor tem uma importância imensa quando dão suporte.  Lembro a primeira vez que eu pensei em ficar com uma menina, minhas amigas me encheram de coragem, afinal, eu estava descobrindo coisas novas sobre mim mesma. Assim como quando contei para a minha chefe, ela me deu suporte e me lembrou de quão importante é ser eu mesma, independente de quem vai gostar ou não. Aí que a cultura faz a diferença, pois temos que ajudar uns aos outros, não reprimir. 

 

 

Essa é a maior importância da pride, ter orgulho de quem somos e dar suporte uns aos outros. Saber respeitar as diferenças, entender o teu amigo, parente ou colega. Se todos ajudarmos alguém, já mudamos muita coisa. Lembrando que a luta continua, ainda (infelizmente) precisamos combater a homofobia todos os dias. Devemos militar até sermos respeitados devidamente.

 

 

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