PIRIPKURA: AFETO E RESISTÊNCIA EM TAMANDUA E PAKYÎ

Já fazem algumas semanas que assisti ao documentário Piripkura e desde então não consigo parar de pensar nesse filme. Dotada de força, resistência e afeto, a obra nos apresenta a história de luta dos únicos sobreviventes do povo indígena Piripkura que estão vivendo em uma área protegida no Mato Grosso. Cercados por fazendas, Tamandua e Pakyî vivem com um machado velho e uma pequena tocha acesa pela última vez em 1998. Para que a área continue sob proteção, a cada dois anos uma expedição da FUNAI (Fundação Nacional do Índio) vai ao local para assegurar que os dois ainda estão vivos. Jair Candor, servidor da FUNAI, acompanha os dois índios desde 1989. Nas  expedições periódicas que realiza, em muitas delas está acompanhado por Rita, a terceira sobrevivente Piripkura.

 

No começo do filme somos informados que os demais indígenas desse povo foram exterminados por fazendeiros e grileiros da região do Mato Grosso. Jair relata que os indígenas são vistos como bichos por homens brancos e que foram mortos sem qualquer tipo  de criminalização dos atos. Os assassinos se fundamentam no ódio e no preconceito e afirmam que os índios atrapalham o desenvolvimento do país. É muito doloroso escutar os relatos de Rita ao falar sobre os parentes assassinados.

 

Jair também faz uma afirmação curiosa e verdadeira enquanto nos leva para dentro da mata em busca de Tamandua e Pakyî: os dois só precisam de um machado, fogo e a da floresta em pé. A floresta em pé. Da floresta de 243 mil hectares, eles tiram tudo o que precisam para viver. O entorno do território virou pasto e plantação de soja. A nova área desmatada é reflexo de uma nova normativa da FUNAI, editada em abril e que já está gerando reflexos em campo. Uma área desmatada de 227 hectares foi detectada em agosto e início de setembro de 2020, indicando a presença de invasores. Em seguida, outro desmatamento ilegal de 134 hectares foi registrado. A Instrução Normativa 9 da Funai facilita a vida de quem está tentando grilar terras em áreas indígenas que ainda não foram homologadas. Isso porque possibilita que o proprietário irregular avance na regularização de sua propriedade em terras indígenas ainda em processo de demarcação. 

 

O filme é de 2017 e foi feito pelos realizadores Mariana Oliva, Bruno Jorge e Renata Terra. O filme foi pré-indicado ao Oscar 2019 na categoria Melhor Documentário e recebeu os prêmios de Melhor Documentário no Festival do Rio e Melhor Documentário de Direitos Humanos no Festival Internacional de Amsterdã.

Já tentei entrar em contato com a produtora do filme para saber se eles teriam alguma notícia de Tamandua e Pakyî, porém não obtive respostas. Espero que eles estejam vivos e bem, eu todos os dias lembro dos seus sorrisos e de sua resistência. 

 

O filme está disponível na Amazon Prime Video.

 

 

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