O QUE ESPERAR DE “MALHAÇÃO - TODA FORMA DE AMAR”

Depois de uma temporada que alavancou audiência, recebeu elogios e até mesmo um Emmy Kids, a Globo produziu outra temporada de Malhação que não vem tão bem e, no próximo dia 16, dará lugar a tentativa da emissora de reproduzir a magia que fez de “Viva a Diferença” o sucesso que foi.

Quem nasceu antes ou durante a década de 1990 conhece e assistiu, pelo menos, uma temporada de Malhação. O folhetim do final de tarde da Globo começou em 1995 e já conta com quase três décadas no ar, sendo uma das produções audiovisuais mais antigas e há mais tempo em exibição.

 

De lá para cá tivemos altos e baixos. Temporadas inesquecíveis como a exibida em 2005 - cuja trilha sonora ainda é uma das preferidas dos fãs - e outras nem tanto como Malhação ID e Malhação Casa Cheia de 2014, e a marcante “Viva a Diferença” de 2017. E é a partir daí que segue este texto.

 

 

2017 foi um ano marcante para a novela teen. A temporada Viva a Diferença foi uma das campeãs de audiência, venceu um Emmy Kids, virou trending topics do Twitter diversas vezes, teve o primeiro beijo lésbico da história da novela e garantiu uma das temporadas mais queridas de toda a história da produção e, agora, ganhará um spin-off no Globo Play contando a vida das protagonistas anos mais tarde.

 

A temporada que viria depois - Vidas Brasileiras - tinha a difícil tarefa de substituir uma Malhação que alcançou números absurdos e a idolatria de fãs das mais diversas idades. Infelizmente, ela não conseguiu. Em seu tempo de exibição, a temporada teve altos e baixos e amarga números poucos ou nada expressivos, passou por reformulação ao longo da história e entrega - na segunda, 15 - seu final.

 

Quem vem agora é a nova “Toda Forma de Amar”. A história, ao que parece, lembra um pouco o que vimos em 2017, porém mais focada na periferia, com um vasto elenco de atores negros e um plot que trata sobre vidas negras em risco em um país que, recentemente, viu o exército atirar 80 vezes contra um carro com uma família dentro.

 

No plot principal temos Rita e sua busca pela filha perdida - que ela pensou ter morrido no parto -, que foi adotada por Lígia e sua família. No meio disso ainda vemos a cena que une os protagonistas e que gerou comparações com Viva a Diferença, onde um garoto é tirado de dentro de um coletivo, levado por bandidos e, depois, morto, gerando protestos e o outro plot principal da trama.

 

 

Apesar das comparações, podemos ver que a semelhança - até o momento - fica mesmo na forma como os protagonistas se conhecem. É possível esperar uma abordagem mais séria da novela acerca de assuntos pertinentes como a vulnerabilidade de jovens negros em periferias. Em um momento em que a emissora, praticamente, vive uma guerra velada (ou nem tanto) contra o governo, podemos esperar uma abordagem direta sobre a o descaso.

 

Confesso, no entanto, que ficarei desapontado se a forma de abordar for rasa. Depois do fracasso de “Vidas Brasileiras”, não dá para mostrar uma trama tão promissora e se acovardar na hora de trabalhar ela ao longo do ano em que a temporada se passa. Para mim, a trama da mocinha, Rita, não é a mais interessante e, apesar de ser boa, me parece que vai ficar em segundo plano e, de verdade, é o que eu espero.

 

Se for trabalhada de forma correta, a temporada tem grandes chances de fazer sucesso, mesmo no Brasil que vivemos hoje onde pessoas ainda acham que a morte de jovens negros na periferia não é algo com o que devemos nos importar. A responsabilidade é grande, mas espero que a mágica de “Viva a Diferença” se repita.

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