FAZENDO VOLUNTARIO NA INDIA

India? O que você vai fazer na India? Essa foi a primeira pergunta que eu escutei quando disse que faria minha primeira viagem ao exterior, aos 18 anos, não para Disney ou Londres, mas para a India.

A India mexe com o imaginário coletivo, um país onde não há regras de trânsito, vacas e macacos são sagrados, além de riqueza e extrema pobreza mesclada em uma atmosfera de paz e caos ao mesmo tempo. Mas o que me levou para a India? Na época morava no Brasil em um mosteiro Hindu, do qual participei ativamente como integrante da comunidade por 2 anos, e sendo a Índia o sonho para qualquer devoto do hinduísmo e suas vertentes.


Fui para Vrindavan, distrito de Mathura - um local conhecido por abrigar uma grande concentração de devotos da Consciência de Krishna -, o que difere muito de Delhi, um local turístico a facilidade para se comunicar em inglês e a segurança sendo maior, ou Goa, conhecida por grandes eventos de música eletrônica. Em Vrindavan nada era turístico, tudo era devocional, sendo assim praticado o que chamam de Tapasya : disciplina, sofrimento em prol de algo maior e abdicando de todos os desejos e confortos do corpo.

 

Para conhecer a India você precisa ir de coração aberto, eu sei que é clichê, mas acredite quando eu digo: as coisas clichês são as mais difíceis de serem conseguidas. Ir para India necessita estar preparada para o machismo, onde não é seguro andar sozinha e nós mulheres não temos a liberdade de expressão, seja na vestimenta ou na fala; fazer suas necessidades físicas em um buraco (sim!!) e tomar banho em um cano de água gelada, comer comida picante em todas as refeições e ficar doente por tomar um Lassi na rua. Mas também é o olhar puro da criança que brinca com a vaca, a força das mulheres fazendo suas oferendas em frente ao Rio Ganges e o tipo de paz que se encontra ao ver os sadhus praticando yoga nas primeiras horas da manhã.


Agora vamos falar da parte que provavelmente trouxe vocês para esse texto: Quanto custa? Onde fazer intercâmbio? Precisa de agência? Precisa falar Hindi? Me acompanhe que vou explicar tudo!


Passagem e visto:

O valor da passagem foi cerca de R$ 3000,00 ida e volta e o processo de visto foi feito em 1 mês no consulado da India em SP. O visto de turista me permitiu ficar 03 meses no país e precisei apenas preencher um formulário com o nome da instituição da qual ficaria hospedada e apresentar um documento informando que tomei a vacina contra febre amarela (sim, para viajar para India é preciso tomar vacina).


Instituição 01 :

Eu fiquei hospedada no Vrinda Kunja Ashram Vrindavan (http://vrindakunja.org/) onde é possivel participar de diversas formas, desde limpando os rios da cidade, ajudando na cozinha e manutenção do espaço, além da experiência de morar em um mosteiro e vivenciar uma rotina de yoga, meditação, aulas sobre escrituras sagradas.


O trabalho voluntário é feito entre 5-6 dias da semana e entre 3-6 horas por dia, estando incluso alimentação e acomodação em quarto compartilhado. Não é permitido álcool, drogas ou conduta sexual.


Na época eu paguei 15 Dólares a diária.


Instituição 2 :

Fiz voluntariado na Sandipani Muni School (http://centers.iskcondesiretree.com/vrindavana-india/) uma escola que possui diversas atividades educativas e projetos sociais (distribuição de comida, prevenção do casamento infantil, etc). Pude acompanhar a rotina na sala de aula e participar de projetos recreativos, como ensinar inglês para crianças e distribuição de alimento nas comunidades em volta.


Na época paguei 100 dólares por 1 semana, incluso alimentação e alojamento compartilhado.


Não precisei de nenhuma agência de intercâmbio intermediando nenhuma das instituições.


Custo de vida na India:

R$1,00 equivale atualmente (2021) 13.06 IN (rúpia indiana). em 2014 (lembrando que todos os valores informados são referentes à 2014, e talvez algo tenha mudado), eu passei um tempo em Delhi e era possível encontrar hotéis a partir de 500 IN (cerca de R$ 38,00), alimentação em restaurante à partir de 10 IN ( R$ 0,77). Indico ficar hospedado em Delhi na parte de Paharganj, pois é uma parte conhecida por turismo (há máquinas para saque de dinheiro, farmácia, restaurantes e variados hotéis, estação de trem e até encontrei um Subway, além de lojas de tecidos e roupas).


Recomendações finais para quem procura um intercâmbio na India:


-Use protetor solar e se prepare para comer comida apimentada;- Vá de coração aberto e se permita sair da zona de conforto;

-Nunca compre nada dos comerciantes sem pechinchar. Acredite, é uma atitude inclusive esperada que negocie os valores.


Sou a Giovanna, 26 anos, formada em Pedagogia e atualmente moro na Áustria. Sou apaixonada por viagens e esse foi meu relato de voluntário na India.

 

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