"O TEMPO NÃO PARA" E UM GANHO DE QUALIDADE EM NOVELAS

Em tempos de Netflix, Youtube e TV por assinatura, nem todo mundo é fã de novelas, porém, a Globo mostrou-se uma promissora trama com o novo folhetim das 19h

 

Não acompanho uma novela – na Globo ou em qualquer outra emissora – há pelo menos sete anos. Os motivos foram muitos: a faculdade, falta de tempo, falta de vontade e, claro, a falta de uma trama que prendesse minha atenção por 40 minutos em frente a televisão – coisa que acontece o tempo todo com as mais de 20 séries que acompanho atualmente.

 

Lembro que assisti com um pouco mais de atenção e consistência uma das últimas tramas das 18h, “Além do Tempo”, que trazia uma premissa interessante de novela de época, com espiritismo e reencarnação. Foi um dos últimos trabalhos que vi com um pouco mais de assiduidade, mas que também negligenciei pela falta de tempo.

 

No entanto, dias atrás, sentado em frente a TV e vendo a novela das 18h – Orgulho e Paixão – me deparo com as chamadas de “O tempo não para”, a trama que substituiu “Deus salve o rei”, finalizada recentemente. A trama gira em torno de Marocas (Juliana Paiva), que ficou congelada por mais de 100 anos após seu navio naufragar e Samuca (Nicolas Prattes), um jovem empresário que a salva.

 

Marocas (Juliana Paiva) e Samuca (Nicolas Prattes)

 

Não é uma história nova, é verdade. O que mais tem são filmes e séries sobre pessoas de um tempo sendo jogadas em outro. Porém, o que me chamou a atenção foi a atenção e o cuidado dado a história em si, mesmo que já conhecida. “O tempo não para”, trata de escravidão, da ferida mais profunda da nação e insere homens e mulheres até então escravizados em um contexto onde negros vivem livres, mas sem romantizar isso, pois nos deparamos com o personagem de Milton Gonçalves, Eliseu, que cata recicláveis para poder sobreviver.

 

A frase de Dom Sabino (Edson Celulari), expressa bem o que ocorre aí: “que abolição é essa?”. Além deles, nos é jogado na cara que apesar de 100 anos se passarem, há coisas que não mudam, como os privilégios dos abonados e dos governantes, ou a forma como as mulheres são vistas na sociedade. Sutilmente costurado com que uma novela é: o casal de protagonistas tentando ficar junto.

 

A estreia da nova novela das 19h registrou pontos de audiência excelentes, tornando-se a melhor estreia dos últimos seis anos para o horário. Essa renovação que a Globo parece estar fazendo, colocando jovens atores na linha de frente das tramas é algo que andou dando certo em novelas como “I Love Paraisópolis” e “Sangue Bom”. E dar espaço para novos autores também dá um refresco para um estilo tão batido como são as novelas.

 

Enfim, “O tempo não para” acabou de começar, são apenas sete capítulos até o momento, mas acredito que teremos uma trama de qualidade e que vai prender o público. É esperar para ver. Particularmente, já estou atraído pelo folhetim.

 

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