É TEMPO DE COPA DO MUNDO!

Ambiguidades do futebol não diminuem a expectativa pelo torneio.

Estamos em clima de Copa do Mundo, evento que envolve praticamente todo conhecedor e admirador de esportes durante um mês a cada quatro anos no planeta. Uma experiência futebolística e sociológica de primeira, que faz todo mundo vibrar com a retranca ferrenha da Islândia sobre a Argentina, que resultou em empate, embora todos ignorem a existência de Halldorsson, Hallfredsson ou Magnusson antes ou após o Mundial. Que faz muita gente grudar os olhos na televisão, sair do trabalho mais cedo e até arriscar palpites para Panamá x Tunísia.

 

Você, leitor, observe nossa Seleção. O Brasil chega à Rússia com o 7x1 contra a Alemanha entalado na garganta. Em 2014, jogando em casa, era praticamente obrigação da seleção canarinho erguer a taça do hexacampeonato inédito. Não aconteceu, culpamos tudo e todo mundo, viramos chacota mundial e vimos nosso pouco orgulho ir por água abaixo. Só que o futebol, por ser tão popular e envolver tanta gente, precisa de ídolos imediatos. E agora, quem poderá nos defender?

 

Quatro anos depois, na minha opinião, o nível técnico da Seleção não mudou muito, bem como o futebol jogado aqui não evoluiu. Continuamos enviando atletas precocemente para o exterior. Na contramão disso tudo, o país volta a ser um dos favoritos ao título. Renova-se a expectativa. Bancos, repartições públicas, serviços em geral, mudam horários de funcionamento. Tudo para ver o Brasil jogar.

 

Tá certo, a publicidade, como um todo, tenta aproveitar a onda e reerguer um sentimento de triunfo até então perdido (aquela história de 200 milhões de treinadores, saca?). Quem afirma não gostar da Copa, e dizer que tudo não passa do que Guy Debord certa vez chamou de "sociedade do espetáculo", acaba esmagado.

 

O futebol tem destas ambiguidades interessantes: é uma linguagem universal, mas movimenta bilhões de dólares, enchendo os cofres da Fifa e endividando os países por onde passa. Cria ídolos, cada vez mais distantes à medida que são admirados. Prende a atenção de todos enquanto domina os noticiários de todo o planeta.

 

Certo mesmo é que a Copa do Mundo tomou proporções colossais de três ou quatro décadas para cá, e é um dos dois produtos culturais que garantirão a continuidade da paz mundial nos próximos anos (o outro é o The Voice), promovendo a união entre os povos em torno de um campo, uma bola e um punhado de jogadores. Uma paixão que não vê regiões, religiões, idades, idiomas ou classes sociais. Enquanto o futebol for uma "caixinha de surpresas", e ao mesmo tempo proporcionar este equilíbrio, seremos apaixonados por ele.

 

Certo mesmo é que a Copa do Mundo tomou proporções colossais de três ou quatro décadas para cá, e é um dos dois produtos culturais que garantirão a continuidade da paz mundial nos próximos anos (o outro é o The Voice), promovendo a união entre os povos em torno de um campo, uma bola e um punhado de jogadores. Uma paixão que não vê regiões, religiões, idades, idiomas ou classes sociais. Enquanto o futebol for uma "caixinha de surpresas", e ao mesmo tempo proporcionar este equilíbrio, seremos apaixonados por ele.

 

Foto da capa: Getty Images

 

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