CINEMA INDÍGENA: BELEZA, LUTA E DIVERSIDADE

Há uns tempos atrás, já falei aqui sobre a ótima iniciativa do Sesc São Paulo que, desde de 2020, possui uma série dedicada à sétima arte. O programa intitulado Cinema #EmCasaComSesc possui exibição gratuita de filmes em streaming a partir de uma curadoria feita pelo CineSesc. A cada semana novos títulos são disponibilizados e os filmes possuem um período de permanência.

 

Ontem, dia 9 de agosto, foi o Dia Internacional dos Povos Indígenas. Uma boa forma de conhecer melhor a beleza, a diversidade e a luta desses povos é apreciá-los através da arte. A plataforma Sesc Digital recebe a programação especial LUTA YANOMAMI: CINEMA COMO ALIADO. Com curadoria das antropólogas Ana Maria Machado e Majoí Fávero Gongora, em parceria com o CineSesc, a mostra recebe longas, médias e curtas-metragens. Com exceção de A Última Floresta, que foi exibida numa sessão especial no dia 30, as demais produções ficam disponíveis até 13 de agosto.

 

Os Yanomami são um dos maiores povos indígenas no Brasil, com mais de 28 mil pessoas. Suas comunidades situam-se em áreas de floresta e montanha no norte do país, nos estados de Roraima e Amazonas. Atualmente, os Yanomami estão sendo ameaçados pela presença ilegal de mais de 20 mil garimpeiros, pelo desmonte grotesco de políticas públicas, pela pandemia e e por toda a política da morte que vivemos atualmente.

 

A programação pode ser assistida gratuitamente aqui. Além dos filmes, a mostra traz um ciclo de encontros com especialistas e ativistas indígenas. Abaixo você pode conferir os filmes e o encontro que vai rolar dia 12:



GYURI

Dir.: Mariana Lacerda | Brasil | 2019 | 87 min | Documentário | Livre

Gyuri traça uma linha geopolítica improvável entre uma aldeia húngara (a pequena cidade de Nagyvarad) e a Terra Indígena Yanomami, na Amazônia Brasileira. Isso se dá por meio da história de vida de Claudia Andujar. Judia, sobrevivente da segunda guerra mundial, Claudia perdeu toda sua família em campo de concentração nazista. Exilada no Brasil, dedicou sua vida à salvaguarda dos povos Yanomami.

 

UM FILME PARA EHUANA

Dir.: Louise Botkay | Brasil | 2018 | 27 min | Documentário | Livre

Na fronteira entre Brasil e Venezuela, em Watorikɨ, vive uma comunidade Yanomami. Passamos um tempo com Ehuana Yaira e sua família no dorso do coração da floresta.

 

URIHI HAROMATIMAPË  – CURADORES DA TERRA-FLORESTA

Dir.: Morzaniel Ɨramari Yanomami| Brasil | 2014 | 60 min | Documentário | Livre

Os trovões estão avisando: “a Terra está doente”. Para curá-la, Davi Kopenawa reuniu os xamãs Yanomami de diversas regiões. Com a ajuda do alimento dos espíritos, o rapé yakoana, eles vão tratar os males provocados pelas cidades e doenças dos brancos.

 

XAPIRI

Dir.: Leandro Lima, Gisela Motta, Laymert Garcia dos Santos, Stella Senra e Bruce Albert | Brasil | 2012 | 54 min | Documentário | Livre

Xapiri é uma palavra yanomami usada na designação tanto dos xamãs, as «pessoas-espíritos» (xapiri thë pë), quanto dos seus «espíritos auxiliares» (xapiri pë). Os xapiri pë são «imagens» dos seres na sua forma primordial; em particular as imagens dos antepassados humanos-animais (Yarori pë), primeiros habitantes da terra-floresta urihi a. Os xamãs fazem descer e dançar esses entes-imagens para conduzir suas curas-batalhas contra as diversas formas de malevolência humana e não humana, bem como para domar as forças e entidades invisíveis que movimentam a ordem cosmoecológica aparente do mundo. Xapiri é um filme experimental, inspirado no xamanismo yanomami. Suas imagens foram registradas por ocasião de dois encontros de xamãs na aldeia Watoriki, Amazonas, em março de 2011 e abril de 2012. Entretanto, o trabalho realizado sobre estas imagens escapa do registro documentário a fim de produzir uma simulação tecnológica livre a partir do universo visual e conceitual do xamanismo yanomami. O filme não pretende descrever e muito menos explicar o trabalho dos xamãs Yanomami. Deve ser considerado como uma tentativa de tornar sensível, através de nossas imagens digitais, certas ideias yanomami sobre as imagens xamânicas (utupë), sua ontologia e sua estética, sua transdução e mutabilidade nos corpos. Trata-se, antes de tudo, de uma homenagem visual à riqueza intelectual e poética do xamanismo yanomami.

 

XAPIRIPË YANOPË - CASA DOS ESPÍRITOS

Dir.: Morzaniel Ɨramari Yanomami, Dário Kopenawa Yanomami | Brasil | 2010 | 24 min | Documentário | Livre

Incursão íntima e subjetiva sobre a iniciação dos jovens xamãs Yanomami da aldeia Demini, que aprendem a se comunicar com os xapiripë (espíritos), alimentando-os com o rapé yakoana (comida dos espíritos).

 

O SOPRO DOS XAPIRI- XAPIRI PË NË MARI

Dir.: Gisela Motta, Isabella Guimarães, Mariana Lacerda | Brasil | 2020 | 8 min | Documentário | Livre

Era noite em Brasília, quando os Xapiri ocuparam o conjunto arquitetônico modernista do Palácio do Congresso Nacional, transfigurado em terra-floresta. O valor de um sonho, induzido pela visita dos espíritos da terra-floresta que levam à imagem dos xamãs é xapiri pë në mari, na língua Yanomami. O xamã contou: “quando estou dormindo, estou sonhando, olhando, cantando, movimentando. Tudo isso é sonho, xapiri pë në mari”. Criação: Barreira Y.

 

DIA 12/8 - 14H ÀS 16H

ARTE, ALIANÇA E AS LUTAS DOS POVOS INDÍGENAS

No cinema e nas artes em geral, vemos um estreitamento de vínculos entre artistas não indígenas e indígenas motivado pela tomada de consciência de que é preciso reunir esforços para lutar contra frentes genocidas e ecocidas e construir espaços para visibilizar os saberes e as trajetórias dos povos originários. O trabalho de Cláudia Andujar com os Yanomami é pioneiro e referência para quem compreende que a arte, o afeto e a luta estão sempre imbricados. Poética e política são fios de uma mesma trama e, neste encontro, vamos conversar sobre as produções recentes dos diretores convidados e a centralidade da arte na luta por direitos.

 

 

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