47º FESTIVAL DE CINEMA DE GRAMADO

Há 47 anos ininterruptos, o Festival de Cinema de Gramado é o mais importante do Brasil e acompanhou todas as fases do cinema nacional. A evento foi recorde em inscrições contando com filmes de diversos países e teve como grande vencedor “Pacarrete” de Allan Deberton.

 

Sempre em busca de trazer boas e diferentes produções à Gramado, o curador Marcos Santuario comenta a importância de estar presente em festivais pelo mundo, como o de Toronto “Vou ao TIFF em Toronto, que é um festival especial porque é mundial e me dá três olhares importantes. Primeiro: filmes brasileiros que vão estar lá e que não estiveram em gramado, porém que possivelmente estarão no próximo ano, se não estrearem antes. Segundo: filmes ibero-americanos que também são selecionados pela curadoria do festival de Toronto e que poderão ano que vem estar aqui. E em terceiro: eu consigo assistir a todos os filmes norte-americanos, no caso das produções dos Estados Unidos e da Europa que podem concorrer ao Oscar. Então todos os filmes que depois estarão na lista do Oscar, inevitavelmente são exibidos em Toronto”. 

 

Desde 2012, quando assumiu a curadoria do festival, Marcos tem buscado trazer filmes ibero-americanos baseando-se no público brasileiro, tendo assim uma narrativa mais compreensível e filmes menos herméticos. "Por exemplo, nessa seleção tínhamos mais de 17 filmes mexicanos. Porque a gente selecionou "Dos Fridas"? Porque é um filme que dentre todos esses, melhor conseguirá, no nosso ponto de vista, dialogar com um aspecto mais amplo de público, crítica e bilheteria no universo pós-festival.”

 

Foto: Edison Vara/Agência Pressphoto

Os filmes estrangeiros não são selecionados apenas para vir ao Brasil, mas também para que consigam ganhar vida aqui. Os realizadores desejam que o festival seja uma porta de entrada para as produções estrangeiras. 

 

Com o passar dos anos, o festival vem cada vez mais recebendo boas e premiadas produções, o curador também fala o que projeta para os próximos anos "A ideia é continuar assim e cada vez mais, porque essa conexão entre os festivais é cada vez mais ampla. Os limites são cada vez menores e as geografias também. Um filme que esteve em Cannes, como "Bacurau", em seguida esteve aqui. Dois filmes estrangeiros que estão em competição, foram representantes dos seus países na seleção pra filme estrangeiro do Oscar. Por outro lado, saíram os 12 filmes brasileiros na pré-seleção pra concorrer ao Oscar latino, dos 12 filmes, 5 estiveram em Gramado. Este é um elemento que, pra nós, diz algo muito importante sobre a nossa relação com o cinema internacional mundial e o cinema que não tem fronteiras. A percepção é que aumente cada vez mais.”

 

Censura em cena

 

A instabilidade política refletiu no tapete vermelho de Gramado, se de um lado, cineastas clamaram pela liberdade, incentivo e vida à indústria cinematográfica. De outro, manifestantes repudiam o ato e jogam pedras de gelo nos artistas. Recentemente, o governo ameaçou o cinema brasileiro com censura e corte de verbas, principalmente às produções que contrariam princípios de vida do atual presidente, Jair Bolsonaro. Além da manifestação ocorrida no dia da premiação, o assunto foi muito comentado em coletivas de imprensa e exibições dos filmes. 
 

Foto: Edison Vara/Agência Pressphoto

Durante a cerimônia de premiação deste sábado, o presidente da Gramadotur, autarquia municipal responsável pelo evento, anunciou a nova curadoria do festival para 2020. Além de renovar a parceria com o jornalista Marcos Santuario, Pedro Bial e Soledad Villamil passam a integrar a curadoria. 

 

Vencedores do 47º Festival de Cinema de Gramado

 

Longas Brasileiros


Melhor Filme: “Pacarrete”, de Allan Deberton
Melhor Direção: Allan Deberton, “Pacarrete”
Melhor Ator: Paulo Miklos, em “O Homem Cordial”
Melhor Atriz: Marcélia Cartaxo, em “Pacarrete”
Melhor Roteiro: Allan Deberton, André Araújo, Natália Maia e Samuel Brasileiro, por “Pacarrete”
Melhor Fotografia: Edu Rabin, por “Raia 4”
Melhor Montagem: Joana Collier e Fernanda Krumel, por “Hebe”
Melhor Trilha Musical: Sascha Kratzer, por “O Homem Cordial”
Melhor Direção de Arte: Tulé Peake, por “Veneza”
Melhor Atriz Coadjuvante: Carol Castro, em “Veneza” e Soia Lira, em “Pacarrete”
Melhor Ator Coadjuvante: João Miguel, em “Pacarrete”
Melhor Desenho de Som: Rodrigo Ferrante e Cauê Custódio, por “Pacarrete”
Prêmio especial do Júri: “30 Anos Blues”
Júri da Crítica: “Raia 4”, de Emiliano Cunha
Melhor filme do Júri Popular: “Pacarrete”, de Allan Deberton 

 

Longas estrangeiros

 

Melhor Filme: “El Despertar de Las Hormigas”, de Antonella Sudasassi Furnis
Melhor Direção: Juan Cáceres, por “Perro Bomba”
Melhor Ator: Fernando Echalar, em “Muralla”
Melhor Atriz: Julieta Díaz, “La forma de las horas”
Melhor Roteiro: Bernardo e Rafael Antonaccio, por “En el Pozo”
Melhor Fotografia: Rafael Antonaccio, por “En el Pozo”
Prêmio especial do júri: para as meninas Isabella Moscoso e Avril Alpizar do filme “El despertar de las hormigas’, por suas excelentes atuações.
Menção Honrosa: para a direção de arte de “Dos Fridas”
Júri da Crítica: “El Despertar de Las Hormigas”, de Antonella Sudasassi Furnis
Melhor filme Júri Popular: “Perro Bomba”, de Juan Cáceres

 

Longas Gaúchos


Melhor filme: Raia 4, de Emiliano Cunha

Curtas Brasileiros
Melhor Filme: “Apneia”, de Carol Sakura e Walkir Fernandes
Melhor Direção: Diogo Leite, por “O Menino Pássaro”
Melhor Ator: Rômulo Braga, em “Marie”
Melhor Atriz: Cassia Damasceno, em “Mulher que Sou”
Melhor Roteiro: Renata Diniz, por “O Véu de Armani”
Melhor Fotografia: Sebastian Cantillo, por “A Ética das Hienas”
Melhor Montagem: Daniel Sena e Thiago Foresti, por “Invasão Espacial”
Melhor Trilha Musical: Carlos Gomes, em “Teoria Sobre Um Planeta Estranho”
Melhor Direção de Arte: Gutor BR, por “Sangro”
Melhor Desenho de Som: Gustavo Soesi, “Um Tempo Só”
Prêmio especial do júri: para as atrizes Divina Valéria e Wallie Ruy, em “Marie”, por nos permitirem vivenciar deslocamentos corporais inesperados e por imaginarem um futuro travesti num país que mais mata trans no mundo.
Júri da Crítica: “Marie”, de Leo Tabosa
Melhor Filme Júri Popular: “Teoria Sobre Um Planeta Estranho”, de Marco Antônio Pereira
Menção Honrosa: a Ester Amanda Schafe, de “A Pedra”, pela vigorosa interpretação e pelo talento promissor que revela.
Prêmio Aquisição Canal Brasil: “Marie”, de Leo Tabosa

 

Foto de capa: Edison Vara/Agência Pressphoto

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