“SPECIAL”: OS ARMÁRIOS DOS QUAIS PRECISAMOS SAIR

A nova série da Netflix - criada por Ryan O’Connel e produzida por Jim Parsons - é nova, curta e fisga rapidamente, mas é mais do que uma série LGBT sobre sair do armário ou sobre quebra de padrões.

Em meados de 2010 eu já sabia que era gay, mas abrir minha boca e falar para todas as pessoas sobre isso era assustador. Sair do armário estava fora de cogitação e, neste meio tempo, eu tentava todas as alternativas existentes para não ser gay. Obviamente, todas as tentativas foram em vão e, hoje estamos aqui.

 

Sair do armário não é uma tarefa fácil, muito menos uma decisão que queremos ter de tomar. E estamos falando de nós, pessoas que não têm nada de tão extraordinário acontecendo na vida. Imagine então um jovem com paralisia cerebral, cujo reflexo se dá na coordenação motora e, consequentemente, em suas relações sociais diárias.

 

Este é o plot principal de “Special”, a nova produção da Netflix baseada na autobiografia de Ryan O’Connell e estrelada por ele. A produção é de Jim Parsons, o Sheldon de “The Big Bang Theory”. E, engana-se quem pensou em mais uma série clichê do universo LGBT que traz mais padrões, mais esteriótipos e mais coisas para o seu tio homofóbico usar durante o almoço de domingo.

 

 

Ao colocar um homem gay com paralisia cerebral na foco da trama, “Special” quebra totalmente o padrão de, basicamente, todas as séries gays existentes ou que já existiram. Mas não vou colocar a série dentro do potinho da quebra de padrões e dizer que esse é o motivo para ela ser tão… bem, especial.

 

Com oito episódios de 15 minutos, a série é fácil de assistir e, se você tiver outra coisa para fazer, melhor deixar para começar a vê-la em outro momento, pois vai ter de ficar duas horas na frente da televisão. “Special” traz uma trama gostosa de assistir, cativante e com personagens que te fazem se apaixonar tão rapidamente quanto a série se passa.

 

Além de Ryan, temos Kim, a melhor amiga empoderada e body positive; Karen, a mãe que sempre viveu para o filho e que, finalmente, está descobrindo a vida;Olivia, a chefe megera, mas hilária e o crush - pois sempre tem o crush - Carey. Cada um desses personagens, apesar de não tão explorados nos oito episódios, são tão carismáticos que queremos ver mais sobre eles, além da história do protagonista.

 

A sensibilidade com que a série trabalha os assuntos como independência das pessoas portadoras de necessidades especiais, além de falar sobre o amor - algo que alguns esquecem que elas também sentem - torna “Special” uma daquelas joias preciosas que acabamos assistindo rápido demais e, depois, ficamos esperando muito tempo para uma nova temporada - experiência própria.

 

Por fim, imaginava que teria uma boa série nas mãos quando vi o trailer de “Special”, só não imaginei que me apaixonaria tão facilmente e, muito menos, que ficaria tão frustrado ao lembrar que a nova temporada - se houver - deve levar um ano para chegar a plataforma de streaming. Por ora, me resta recomendar.

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